quarta-feira, 30 de março de 2011

Passeata em Cocal da Estação relembra 2 anos datragédia de Algodões I

Barragem Algodões I
A Cáritas Brasileira - Regional do Piauí, instituição ligada à Igreja Católica, está preparando atos alusivos aos dois anos da tragédia de Algodões I ocorrida em 27 de maio de 2009 atingindo a 420 famílias no município de Buriti dos Lopes e mais de 500 em Cocal.

Foi realizado, na Obra Kolping, bairro Dirceu Arcoverde, o encontro regional da Cáritas Brasileira sobre as Políticas de Emergências para discutir as ações diante das catástrofes por causas naturais como as secas ou cheias e as por causas socioambientais como o abandono de crianças, marginalização das mulheres, drogas etc.

Participaram do encontro representantes da Associação das Vítimas e Amigos das Vítimas da Barragem de Algodões (Avaba) que denunciaram a questão da não conclusão das casas e o não pagamento da pensão alimentícia e a falta de condições de moradia nas agrovilas construídas para os atingidos pela tragédia.

"Lá falta água, luz e outras foram construídas a 40 km do local onde morávamos, como é o caso da comunidade Massalina", diz Francisca Alves Portela, da AVABA.
A representante da AVABA disse que o governo resiste em pagar a pensão às famílias e que muitas estão vivendo apenas do bolsa família. "O pagamento foi feito para 219 famílias mas outras quase 300 estão sem receber porque a SASC está fazendo um novo cadastro", diz Francisca Portela.

Em Buriti dos Lopes a situação é mais complicada, na opinião de Maria Verinália, da comunidade Espírito Santo de Cima. Segundo ela, as 420 famílias estão em situação precária porque foi construída apenas uma parte das casas em três agrovilas: Carrasco com 48 casas, Salgadinho 65 e Espírito Santo 78.

Verinália reclamou também que o valor emergencial de 5 mil reais, destinados a cada família para compra de móveis foi complicado porque as famílias foram obrigadas a comprar moveis e o banco repassava o dinheiro direto para a loja, depois da apresentação da nota fiscal. "Pra nós foi ruim porque não tínhamos casa, então para onde levar estes imóveis?", questionou Verinália.

João Evangelista, da Cáritas Brasileira, disse que a instituição está presente desde o primeiro momento e que as famílias vítimas de Algodões irão continuar recebendo o apoio da Cáritas, que já construiu casas, distribuiu cestas e ajuda na organização das famílias.

"A Cáritas e AVABA estão organizando uma passeata para o dia 27 de maio, na cidade de Cocal, exigindo os direitos das famílias. Só queremos um pouco de dignidade", resume Maria Verinália.

Fontes: Cáritas
Edição: Jornal da Parnaíba