quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Bancos podem iniciar greve na próxima segunda-feira

 (Crédito: José Alves Filho)No estado do Piauí, cerca de 172 agências bancárias podem amanhecer a próxima segunda-feira (3) sem atendimento. O motivo é a greve da categoria que pode ser decidida nesta quarta-feira (29), em assembleia geral realizada com o Sindicato dos Bancários e a classe. As reivindicações ficam em torno do reajuste salarial. A categoria exige um aumento de 5% acima da inflação, bem como os direitos trabalhistas referentes a horários de almoço, plano de saúde, dentre outros.

Arimatea Passos, presidente do Sindicato dos Bancários do Piauí, explica que a categoria recebeu as contrapropostas durante uma negociação realizada ainda no sábado em São Paulo,  mas que somente nesta quarta é que, em assembleia geral em Teresina, uma decisão poderá ser tomada em relação às agências do Piauí.

“Vejo que as nossas propostas não foram atendidas como é de exigência, porém considerei um avanço para o que foi apresentado. No entanto, não tomo a decisão da categoria no Piauí sozinho. É para isso que ouviremos toda a classe, analisando cada contraproposta que nos foi colocada”, relata Arimatea.

Os pontos discutidos e apresentados nesta quarta-feira, às 18 horas, no Auditório do Sindicato dos Empregados de Estabelecimentos Bancários e Financiários no Estado do Piauí (SEEBF-PI), para toda a classe serão as propostas apresentadas pela Federação Nacional dos Bancos (FENABAN); a deliberação sobre as propostas específicas do Banco do Brasil, Caixa e Banco do Nordeste; acerca de paralisação das atividades por prazo indeterminado, assim como discussão de outros assuntos de interesse da categoria.

A orientação do Comando Nacional é a aceitação das propostas, mas caso não sejam aceitos pelo restante da categoria em todo o estado, o indicativo de greve fica para a próxima segunda-feira.

Pontos deliberados pela FENABAN para a categoria

As negociações garantiram a manutenção do Saúde Caixa e do modelo de custeio no qual os custos administrativo e fiscal ficarão sob encargo do banco. Além disso, 70% dos custos assistenciais também serão de responsabilidade da Caixa. Os empregados custearão o convênio através da mensalidade de 2% sobre a remuneração-base e 20% de coparticipação sobre o valor dos procedimentos médicos, limitado a R$ 2.400 ao ano. Com isso, os bancários arcarão com 30% do custeio do Saúde Caixa. Além disso, foi garantido que a implementação do teto de 6,5% da folha de pagamento e proventos só serão implementadas a partir do exercício de 2021. Os atuais dependentes indiretos com idade de 24 anos ou mais serão mantidos no Saúde Caixa até os 27 anos, com o custo de R$ 110 ao mês. Futuramente a limitação será de 24 anos.

Foi retirada o ponto que condicionava a cobertura do Saúde Caixa aos filhos e enteados dependentes indiretos com renda inferior a R$ 1.800.

Contudo, os empregados admitidos após 31 de agosto de 2018 não terão direito ao Saúde Caixa nos moldes atuais. A Caixa assegurará aos empregados admitidos após 31 de agosto e seus dependentes, assistência à saúde submetido à legislação vigente.

“Manifestamos nosso absoluto repúdio em relação a essa discriminação e vamos construir a luta junto com os futuros trabalhadores, como já fizemos no passado, para inseri-los no Saúde Caixa”, afirma Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa).

Quanto à Participação nos Lucros ou Resultados, foi garantida a PLR social (4% do lucro líquido apurado no exercício de 2018, distribuído em valores iguais para todos os empregados.

Pagamento da PLR pela regra Fenaban (90% da remuneração-base vigente em primeiro de setembro de 2018 acrescido do valor de R$ 2.355,76, limitado ao valor de R$ 12.637,50) .

Antecipação de 50% do valor da PLR devida a ser paga em 20 de setembro. Pelo acordo atual, a porcentagem da antecipação é de 60%.

A negociação atual conquistou a manutenção da titularidade da  função gratificada das gestantes e empregadas que usufruem de licença-maternidade. Ou seja, a Caixa não pode descomissioná-las.

Quanto ao adicional noturno em jornada mista, está mantida a redação do acordo coletivo atual quanto ao adicional noturno, principalmente quanto a jornada mista, que compreende as que se iniciam entre 22h e 2h30 e se encerram após as 7h do dia seguinte, a chamada jornada mista. Hoje, as horas trabalhadas após as 7h, nesse tipo de jornada, são pagas acrescidas também de adicional noturno.

Também estão mantidas as garantias do acordo coletivo atual, que garante vale alimentação, vale refeição e cesta alimentação aos empregados em licença médica. A Caixa queria limitar esses auxílios para o período máximo de 180 dias e, no caso de doenças graves, para o período máximo de dois anos.

As isenções de tarifas para empregados estão mantidas. Outro item que a Caixa queria alterar.

Nas negociações anteriores, a Caixa tentou limitar ausências permitidas garantidas pelo ACT atual. O banco voltou atrás e  manteve o direito de se ausentar do trabalho para participar de seminários, congressos ou outras atividades, desde que previamente autorizado pelo gestor, e que não implique custos para a empresa.  

Também manteve o direito dos empregados de se ausentarem por até 12 ou 16 horas por ano, conforme a jornada de 6 ou 8 horas, respectivamente, para levar cônjuge, companheiro, pai, mãe, filho, enteado menor de 18 anos ou dependente menor de 18 anos a  consultas e procedimentos médicos.

Entretanto, na proposta mais recente apresentada, a Caixa suprime a ausência permitida de até dois dias por ano para internação hospitalar por motivo de doença de cônjuge ou companheiro, filho, enteado, pai ou mãe.

A Caixa voltou atrás na tentativa de reduzir para 30 minutos o intervalo de quem faz jornada de 8 horas. E aumentou o intervalo de 15 para 30 minutos para quem faz jornada de 6 horas, sendo 15 intrajornada e 15 fora da jornada. O empregado de seis horas, quando executar hora extra, terá a possibilidade de utilizar intervalos de 30 minutos nos mesmos moldes (15 intrajornada e 15 fora da jornada).  Hoje o banco obriga cumprimento de uma hora de intervalo.
Fonte: Meio Norte

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